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Aspectos que encarecem o orçamento de tradução

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Olá!

É muito comum que se pense que o serviço de tradução é caro; afinal, há recursos gratuitos (tradutores automáticos)  que, teoricamente, substituem a necessidade de um profissional. Essa concepção vem do fato que poucos entendem como funciona, realmente, o processo de tradução e, portanto, têm expectativas irreais a respeito do serviço que contratam.

Listarei aqui, então, algumas dicas que o ajudarão a economizar ao solicitar um orçamento com um profissional:

  1. Prazo de entrega

Duas coisas a se considerar: a) O tradutor, geralmente, não trabalha apenas com tradução; b) o tradutor que consegue ganhar a vida trabalhando apenas com tradução tem um enorme volume de trabalho. Qualquer que seja o caso,  profissional nenhum (salvo casos extraordinários, que não devem ser esperados) tem disponibilidade imediata para atendê-lo, por mais “simples” que seja o trabalho (falaremos de simplicidade mais adiante). Sendo assim, procure pedir um orçamento tão logo você saiba que precisará do serviço. Prazos de entrega apertados nos dão direito de cobrar por uma taxa de urgência, que considera a necessidade de trabalhar de madrugada, no horário de almoço, aos fins de semana e feriados. Se o conteúdo a ser traduzido for muito longo (como um livro) e o prazo for realmente pouco, procure por uma agência de tradução em vez de um tradutor autônomo. Agências encaminham o serviço para vários profissionais que trabalham em conjunto, levando menos tempo de execução.

2. Conteúdo

Quem vai determinar se o serviço é “fácil” ou “simples” é o tradutor. É frequente que trabalhemos com conteúdo fora da nossa especialidade e, para tal, precisamos de mais tempo para pesquisa, consulta e revisão. O fato de um texto ser pequeno nada tem a ver com sua complexidade. Por isso, quanto mais especializado for o conteúdo de seu conteúdo original, mais o profissional de tradução precisará investir.

3. Formato do arquivo

O ideal é que o arquivo enviado para tradução seja de Word (extensão .doc ou .docx) ou, na impossibilidade, um PDF desbloqueado para cópia. Trabalhar com arquivos editáveis agiliza nosso rendimento, pois podemos, assim, usar ferramentas próprias para o trabalho e gastar menos tempo indo e vindo de um arquivo para o outro. PDFs trancados precisam ser convertidos em arquivos de Word, que é um serviço pago e é, portanto, cobrado à parte. A tradução de imagens com texto ou material impresso é mais cara porque demanda mais tempo, mais trabalho e mais cuidado do tradutor.  Se o material a ser traduzido for um vídeo, procure enviar também a transcrição do conteúdo, pois a transcrição feita pelo tradutor será cobrada também. Se for um website, envie o conteúdo a ser traduzido em um arquivo de Word, se possível, pois a pesquisa pelas páginas a serem traduzidas demanda tempo e podem não ser perfeitas.

4. Tipo de serviço esperado

A função do tradutor é traduzir. Qualquer outra coisa que se peça dele é um serviço à parte e será cobrado como tal, se ele aceitar fazê-lo. O tradutor pode fazer os seguintes serviços, embora não seja de sua responsabilidade: pesquisar e preparar o que deve ser traduzido, formatar, diagramar, transcrever e legendar vídeos. Toda tradução passa por uma revisão feita pelo próprio tradutor, mas, se for um artigo para publicação, por exemplo, ou qualquer outro conteúdo cuja precisão seja indispensável, recomenda-se o serviço de um revisor especializado. Por isso, seja claro a respeito do serviço que você precisa ao fazer o pedido de orçamento para evitar frustrações e confusões.

5. Forma de entrega

Se a tradução deve ser impressa, reconhecida em cartório, enviada pelo correio e/ou for exigida uma Nota Fiscal, tudo isso será calculado, também. Analise a necessidade de todos os procedimentos antes de requerer um orçamento.

Por fim, uma dica muito importante: Contratar um “profissional” mais barato nem sempre é vantajoso. Um falante da língua original, mesmo que nativo, nem sempre é qualificado para traduzir. A tradução técnica, acadêmica, jurídica ou literária exige muito estudo, prática, investimento e conhecimento especializado. Valorize os profissionais da área e preocupe-se com a qualidade do serviço que você receberá.


  • Leia mais:

Sobre economia de orçamento de tradução.

Sobre contratação de agências de tradução.

Por que não cobrar por página

Independente do tipo de texto a ser traduzido, é bastante comum que o cliente nos pergunte quanto cobramos por página de serviço; portanto, acaba sendo comum passarmos um orçamento de acordo com o que ele pede. Porém, desaconselha-se a cobrança feita por página, por alguns fatores que se resumem a, simplesmente, injustiça.

Explico:

  • Nem todas as páginas possuem a mesma quantidade de texto. Algumas são completas, outras têm texto até a metade, outras ainda trazem figuras ou elementos que ocupam espaço mas não são traduzíveis. Assim sendo, não é justo para o cliente pagar o mesmo preço por páginas tão diferentes.
  • Especialmente em artigos científicos, as páginas são diagramadas em fontes muito pequenas e em duas colunas. Quando se converte isso em um arquivo traduzível no MSWord, 5 páginas de artigo científico viram, facilmente, 10, o que não é justo para o tradutor, que vai receber menos pelo dobro do trabalho.

Nem sempre é fácil explicar para o cliente que 5 páginas de artigo científico são, na realidade, o dobro. E ainda existem pessoas de má-fé que dão um jeito de apertar o máximo de texto possível em uma quantidade mínima de páginas, para que o serviço saia mais barato. Por isso, existem outras maneiras comuns de fazer a cobrança:

Por palavra

A cobrança por palavra é a mais usada e mais aceita na tradução, por ser justa pra qualquer tipo de serviço. O próprio MS Word tem o recurso de contar quantas palavras o arquivo tem (Revisão > Contar Palavras). Podem surgir questionamentos a respeito de palavras repetidas, com o que cada tradutor lida de um jeito diferente, mas lembre-se de que até palavras repetidas devem ser colocadas na tradução, e que a contagem de palavras é só para te ajudar a cobrar pelo serviço como um todo.

Por lauda

É o costume quando se trata de um artigo grande demais ou um texto literário. A diferença da lauda para página é que a primeira conta com um número fixo de caracteres – assim, não tem problema se o texto está em duas colunas, em fonte pequena, numa folha sem margens… A quantidade de caracteres também pode ser feita pelo MS Word, pelo mesmo comando de contar palavras. Para calcular quantas laudas o arquivo tem, basta pegar o número total de caracteres e dividir pela quantidade de caracteres que compõe uma lauda (o que varia de tradutor pra tradutor. O mais comum é considerar 2100 caracteres com espaço).

(Existe a cobrança por linha, que não é comum em língua portuguesa e, portanto, desaconselhada na maioria dos casos; e há quem cobre por tempo de serviço, o que é mais recomendado para quem trabalha com interpretação e com transcrição/tradução de áudio e vídeo. De qualquer forma, faça como for mais conveniente para a sua experiência.)

-PORÉM-

Existem casos em que a cobrança por página é inevitável, como quando o material está em forma impressa ou digital mas não-editável, de forma que não temos como calcular a quantidade de palavras ou caracteres. Existem maneiras de converter estes arquivos em formas editáveis, se for necessário (caso você precise utilizar alguma CAT para o serviço), mas tomam tempo e podem trazer custos extras (por compra de software ou comissão de um profissional que faça isso por você).

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Para calcular a quantidade de palavras de um website: http://www.webwordcount.com/

Para entender mais sobre a cobrança por lauda: http://www.abrates.com.br/abreartigo.asp?onde=LAUDAS%20PALAVRAS%20OU%20PACOTE%20FECHADO.abr

O tal do abstract

Talvez, o serviço que tradutores iniciantes mais recebam para fazer seja o abstract de artigos científicos (me refiro aos iniciantes pois sei que tradutores mais experientes e com grande demanda de serviço acabam recusando esse tipo de trabalho).

Tal tarefa é vista como simples para os clientes, o que é compreensível; porém, alguns profissionais também o veem assim, e precisamos tomar muito cuidado com estes.

Não há nada de simples em se fazer um abstract. Apesar de ser um texto curto (de 150 a 300 palavras, dependendo das especificações), não podemos ignorar alguns fatores:

  1. Terminologia científica. Fazer um abstract não é questão apenas de pegar o texto em português e passá-lo para o inglês: há terminologia específica que precisa ser pesquisada. Às vezes, o cliente tem sorte em encontrar um tradutor familiarizado com a área do seu artigo, mas isso não é regra. Quando o tradutor não tem conhecimento técnico da área de pesquisa do cliente, ele precisa estudar. Ao receber o resumo de um artigo para fazer o abstract, o profissional competente vai procurar artigos científicos da mesma área, em língua inglesa, para se familiarizar com a terminologia correta. Termos científicos têm traduções consagradas em outras línguas, então precisamos saber como o termo é usado nos trabalhos científicos da língua-alvo.
  2. Linguagem acadêmica. A redação científica é um tanto diferente das demais redações. Existem estruturas gramaticais específicas para esse tipo de redação – tanto em português quanto em inglês -, e isso também deve ser observado. Para que o abstract soe natural ao leitor de língua inglesa, o profissional deve estar familiarizado com a leitura desse tipo de texto, para que possa escrevê-lo competentemente.
  3. Tempo investido. Claro, pesquisar e ler artigos científicos toma bastante tempo. Some-se a isso a possibilidade de que este abstract não seja o único que o tradutor tenha para fazer naqueles dias – especialmente em novembro/dezembro, época de apresentações de TCC, quando a demanda por abstracts é grande.

Esclareço esses pontos tanto para clientes quanto para outros profissionais: um abstract mal-elaborado pode comprometer todo o trabalho que o cliente investiu em sua pesquisa. Não basta copiar e colar no tradutor online e aí arrumar as frases esquisitas (aliás, nada de colar trabalho dos outros no tradutor online, pois essas ferramentas recolhem dados sem a sua permissão!). Um abstract é um trabalho de tradução tão sério quanto qualquer outro; portanto, deve ser levado a sério pelo profissional, e tratado como tal pelo cliente. Até é possível entregar um trabalho bem-feito em 24h, mas isso implicaria em pouca pesquisa e em aumento de preço (afinal, trabalhar fora do horário comercial ou aos fins de semana é considerado hora extra, e o profissional freelancer tem todo o direito de cobrar como tal). Há de se compreender o preço que custa, e o tempo exigido para entrega.

Por fim, não é recomendado que se peça tal serviço para aquele “conhecido que fala inglês”. Ele provavelmente vai cobrar um pouco mais barato mas, garanto, não vai tomar o cuidado que um tradutor tomaria a respeito dos itens que mencionei. Sejamos respeitosos e responsáveis.

Um abraço!

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Para excelentes dicas de versão de textos científicos: Writing scientific articles like a native English speaker: top ten tips for Portuguese speakers

Sem medo do Wordfast Classic!

Oi!

Na Pós-graduação, tínhamos a disciplina de Ferramentas. Entre outras coisas, aprendemos sobre o uso das CAT tools e todas as suas vantagens. Como foi um curso de relativa curta duração, não pudemos nos aprofundar no uso de nenhuma delas, mas tivemos uma boa apresentação do Wordfast. Esse módulo, inclusive, foi o primeiro a me dar uma sensação de desespero: ao procurar a ferramenta para baixar e dar uma treinada nas instruções, descubro seu preço: 400 euros! Bom, imagino que um trabalho grande o pague à vista, mas, para quem ainda estava estudando e traduzindo apenas pequenos artigos, o preço me pareceu absurdo. Porém, para a felicidade dos iniciantes, existe a versão gratuita – Wordfast Classic – com menos recursos, mas uma baita mão-na-roda.

Com a versão gratuita baixada e devidamente instalada, vem a segunda parte do desespero: como mexer naquilo? Por nunca ter tido contato com uma CAT tool na vida, me perdi em conceitos de memória de tradução, glossário e segmento. E, embora o módulo da disciplina explicasse o que cada uma daquelas coisas era, eu olhava os comandos e continuava sem saber como fazer aquilo funcionar. “Pode mexer nisso, mas não pode mexer naquilo. Os atalhos são esses e aqueles, mas cuidado com os comandos tais”. Me pareceu uma dor de cabeça inesperada.

Claro, grande parte desse desespero vem do fato de eu não ser um gênio da tecnologia. Me viro com as coisas “fuçando” nelas, mas fiquei receosa de fuçar muito nesse aí. Então fiquei sabendo que as CAT tools não eram ferramentas obrigatórias para o trabalho, embora certamente ajudassem a economizar tempo e otimizar o resultado, e por fim decidi esquecer que aquilo existia e continuei fazendo tudo manualmente, como estava acostumada.

TODAVIA…

Vejam, as CAT tools são ferramentas. E toda ferramenta existe para auxiliar um trabalho, não complicá-lo. Até conseguimos martelar sem um martelo; podemos, por exemplo, usar uma pedra pra isso. Mas a pedra é desconfortável e dificilmente prática para um serviço rápido e satisfatório. O Wordfast Classic, especificamente, existe para que você otimize a tradução. Ele não faz o seu serviço por você, mas você o faz melhor com o seu auxílio, pois ele: divide um texto grande em segmentos, para a tradução ficar mais confortável; salva glossários com palavras novas que você traduziu pela primeira vez; e memoriza essas traduções pra que você não tenha que sair procurando pela palavra de novo – até já a coloca lá, sem que você tenha que digitá-la de novo. Dá pra trabalhar sem ele, mas olhe o tempo que você economiza eliminando essas repetições!

Assim sendo, após terminada a Pós, e com mais tempo livre de sentar e aprender a domar essa coisa, fui tentar ler o manual da ferramenta no site oficial. A coisa era complicada e quase desisti de novo, mas aí encontrei esses dois vídeos que basicamente salvaram a minha vida. Hoje traduzo tudo com o auxílio do Wordfast Classic, faço o serviço com mais segurança e mais rápido. Por isso, compartilho-os aqui para que outros tradutores iniciantes percam o medo das CAT tools e saibam o quanto, no fim das contas, o Wordfast Classic é simples de usar:

Ainda não tive oportunidade de experimentar outras CAT tools (até mais elogiadas pelos profissionais) porque, como mencionei, são todas muito caras, e ainda não tenho uma renda que cubra todas essas despesas. Quando tiver a oportunidade, atualizo a página!

Para baixar o Wordfast Classic, acesse: http://www.wordfast.net/index.php?whichpage=downloadpage&lang=engb

Para uma lista completa dos atalhos do WFClassic, acesse: http://www.wordfast.net/wiki/Wordfast_Classic_Main_Shortcuts

Então, você é tradutor?

Publicado em

Bem-vindo!

Meu nome é Emmanuella Conte. Me especializei em Tradução em Língua Inglesa e venho trabalhando com isso, além de ser professora de inglês. Antes disso, me formei em Biologia e dei um pouco de aulas disso também; mas, embora ame o Estudo da Vida, minha paixão sempre foi aprender e ensinar línguas.

A verdade é que vim aqui com uma grande novidade:

VOCÊ também é tradutor!

“Não, moça, acho que não”, imagino que você tenha pensado. Desculpe, mas você é, sim.

Afinal, traduzir não é apenas pegar umas palavras de uma língua e escrevê-las em uma língua diferente.

Traduzir é recontar.

Quando você assiste a um filme, e depois o narra para um amigo que não o viu, você fez uma tradução: alterou a linguagem em que você absorveu o conteúdo, e a adaptou de forma que seu amigo entendesse o filme sem que o tivesse assistido. Quando você lê um livro e depois faz um trabalho de escola sobre ele, você o traduziu: mudou a linguagem original para uma versão adaptada segundo o seu entendimento. Quando você ouve uma fofoca e a espalha a outras pessoas, ela vai sendo traduzida: cada um conta a história do seu próprio jeito (nota: a autora não defende a tradução via fofoca!).

Viu? Você é um tradutor.

Porém, o simples fato de sermos todos tradutores naturais não implica que sejamos bons tradutores. Toda tradução é uma responsabilidade que temos com o autor original: não podemos mudar a mensagem. Seja recontando um filme, um livro ou uma fofoca, ou pegando um punhado de palavras de uma língua e escrevendo-as em outra, devemos tomar todo o cuidado de não alterar a informação e a intenção originais. Não queremos desrespeitar as fontes, e não queremos confundir quem vai receber nossas traduções, queremos? Saber identificar a mensagem é metade do caminho, e saber repassá-la competentemente é o que vai fazer a sua tradução boa ou não.

Bom, este vai ser um espaço para conversar sobre tradução. O que é fácil, o que é difícil, o que pode, o que não pode, e que eu aprendi fazendo o difícil e o que não pode. Espero que sirva de inspiração a quem está começando e em constante aprendizado, como eu, e tire algumas dúvidas. Também, espero que seja uma ponte de ligação com outros profissionais da área e, é claro, com futuros clientes e fornecedores.

Sinta-se à vontade para entrar em contato pelos comentários, por e-mail, ou pelo formulário de contato ali no menu. Grande abraço!